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27/12/10
Cidade: Gramado
Seção: História
Gado Franqueiro - Patrimônio Genético Brasileiro

Gado Franqueiro: Patrimônio Genético Brasileiro

Tania de Azevedo Weimer
Laboratório de Biotecnologia, Hospital Veterinário, ULBRA
PPG Genética e Toxicologia Aplicada, ULBRA
PPG Diagnóstico Genético e Molecular, ULBRA

A variabilidade genética de animais domésticos tem contribuído de vários modos à sobrevivência e bem estar dos seres humanos, permitindo que animais de criação tenham sido selecionados e que muitas raças tenham sido desenvolvidas com sucesso, para melhor e maior produção zootécnica (leite, carne, ovos, por exemplo), sob condições controladas.

No entanto, estes animais quando transportados a outros ambientes, muitas vezes têm uma perda significativa das características produtivas e reprodutivas.

No Brasil, a introdução de animais passou por um longo período de adaptação, no
qual as raças de origem européia, adaptadas a clima temperado, tiveram que se estabelecer no clima tropical; devido à redução de seu potencial produtivo no novo ambiente, algumas delas foram abandonadas e se desenvolveram em ambientes naturais, em condições selvagens ou semi-selvagens e passaram a constituir as raças locais (autóctones). Indivíduos que sobrevivem nessas condições, com pouca interferência humana, também sofrem seleção, mas esta é praticada pelo ambiente (seleção natural), e, através dela, os mais competitivos e/ou que têm maior resistência às condições adversas locais (como escassez de alimento e água, condições climáticas severas e ocorrência de pragas e doenças) sobrevivem mais e deixam mais descendentes para a próxima geração. Como as raças locais evoluem e sobrevivem nas condições ambientais elas são altamente produtivas em seu ambiente natural, quando a produtividade é medida corretamente. Assim é extremamente importante o desenvolvimento de projetos de preservação de raças típicas de algumas regiões.

A raça de gado Franqueiro é uma raça brasileira que se encontra em risco de extinção (a descrição da mesma encontra-se no artigo de Gilson Moreira, nesta mesma revista). Como parte da estratégia de conservação e uso de recursos animais, em geral e do gado Franqueiro, em particular, é importante o conhecimento de sua composição genética para identificar as características biológicas que os tornaram mais resistentes a situações ambientais adversas.

Assim, foram investigados marcadores genéticos (variações na molécula de DNA que diferem entre os indivíduos e que podem ser empregados para a sua caracterização) em animais da raça Franqueiro provenientes de duas localidades, do município de São Francisco de Paula, RS, da propriedade do Sr. Sebastião Fonseca de Oliveira (17 animais) e de Lages, SC, da propriedade do Sr. Nelson de Araújo Camargo (56 animais).

Os resultados indicaram que estes animais apresentam uma surpreendente
diversidade genética, principalmente se considerarmos o pequeno número de indivíduo analisados. Na amostra de São Francisco verificaram-se, em 12 sistemas genéticos analisados, 5 alelos (formas alternativas de um gene) novos, ainda não descritos em outras raças bovinas brasileiras ou mundiais e sete com freqüências bem mais elevadas que em outros rebanhos já investigados. Na amostra de Lages há ainda 6 outros alelos novos e 5 com freqüências específicas. Um dos marcadores investigados foi uma alteração no DNA de uma proteína envolvida com a susceptibilidade à encefalopatia espongiforme transmissível (popularmente conhecida como doença da vaca louca) e a amostra do gado
Franqueiro mostrou uma das mais altas freqüências mundiais do alelo de resistência a esta doença.

Estes resultados indicam que estes animais constituem-se em um recurso genético altamente valioso, não só como raça pura, mas como fonte para cruzamento com outras raças, devendo-se tomar medidas urgentes para a sua preservação. O desaparecimento de raças típicas tem implicações a curto e a longo prazo e pode significar que fazendeiros e criadores percam animais resistentes a doenças locais e tenham menos possibilidade de responder às alterações ambientais ou a mudanças futuras de preferência dos consumidores.

Adicionalmente, a não preservação de raças localmente adaptadas leva à redução da biodiversidade mundial, com conseqüente risco da garantia de alimentação mundial.
por: antigocaminhodastropas

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